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A Trovoada (II)

Terminada a ceia, O Joãozinho lembrou à mãe o prometido. Ela atarefada no arranjo da cozinha, disse-lhe:
- Olha: agora, o melhor é o teu pai explicar-te, que eu tenho ainda muito que fazer.
O pai, inteirado do que se passara na tarde desse dia, começou assim:
- Ora bem. Por que é que tens medo das trovoadas?
- É porque, ainda no ano passado, morreu o pastor da avozinha debaixo do carvalho, quando guardava as ovelhas.
- Estou a ver que, quando ouves trovões ou vês relâmpagos, te lembras de que também podes morrer. Mas precisas de saber que não é o relâmpago nem o trovão que matam, mas sim o raio. Este cai, de preferência, nos pontos mais altos. Por isso a gente deve, quando está no campo, evitar a proximidade das árvores. O pastor da avó morreu por se ter abrigado da chuva debaixo do carvalho.
- Mais lhe valera ficar à chuva...
- Pois claro. Também não é bom, quando a trovoada está iminente, mexer em objectos de metal, ou estar junto deles, porque o raio também procura, de preferência, os metais.
- Bem. Agora queria saber a razão da conta que a Mãezinha me mandou fazer.
E o pai, pacientemente, aproximando-o mais de si:
- Ora dize-me cá, Joãozinho: Tu já viste rebentar os foguetes no ar, não é verdade?
- Sim, senhor. Ainda na semana passada os vi, no dia da festa de S. Sebastião.
- Pois bem. Os foguetes subiam, vias no ar o clarão e o fumo que eles faziam ao rebentar; mas o estrondo ou, melhor, o estampido, ouvia-lo ao mesmo tempo?
- Lá isso não. Ouvia-o só passados alguns momentos.
- E sabes porquê? É porque a luz e o som andam no ar com velocidades desiguais. A luz percorre 300.000 quilómetros por segundo, ao passo que o som só percorre, também por segundo, apenas 340 metros. Daí a demora em ouvires o estampido dos foguetes, depois de teres visto o clarão.
Dá-se o mesmo com a trovoada. A luz do relâmpago produz-se ao mesmo tempo que o trovão. Mas, como o som é muito menos veloz que a luz, nós vemos esta em primeiro lugar, e só depois ouvimos o trovão. E, por já sabermos que o som percorre 340 metros por segundo, multiplicando este número pelo número de segundos decorridos desde que se viu o relâmpago até que se ouviu o trovão, sabemos a que distância de nós está o ponto onde se encontra a trovoada.
- E por que é que há trovoadas, Pai?
- Isso também é muito interessante, mas aprendê-lo-ás mais tarde.

extraído de "Livro de leitura da 3ª classe", Ministério da Educação Nacional; pág. 136 e 137.